Considero uma alternativa interessante e vantajosa principalmente para treinamentos corporativos, cursos de extensão, cursos de graduação e cursos de pós-graduação.
Mauricio Asenjo

Sou um entusiasta da EAD e desde 1998, utilizo minha página na Internet como forma de suporte para as minhas atividades docentes, embora de uma forma ainda muito incipiente.
Na hp, restrinjo-me a disponibilizar planejamento, textos complementares, exercícios e gabaritos de provas, além de promover uma modesta interatividade com meus alunos, através de um canal de e-mail.
Acredito ser muito pouco. Existem formas muito mais plenas e eficazes de fazê-lo, mas de qualquer maneira, o que faço é uma forma de EAD.
Também já fiz alguns cursos a distância, na maioria deles textos e apostilas são disponibilizados e mais nada, não há nenhum contato entre professor e aluno, nenhum suporte, e até a avaliação é feita no formato de testes sorteados aleatoriamente e corrigidos pelo computador.
Mas também já fiz cursos em formatos diferentes, onde o computador era de fato transformado em uma sala de aula virtual, onde o contato com professor e os demais alunos era promovido e valorizado através de chats, fóruns e até mesmo momentos presenciais e devo confessar que este tipo de iniciativa me agrada muito mais e que me acrescenta muito mais também.
Porém antes de continuar, gostaria de salientar que a internet e seus serviços (chat, fóruns e etc) não garantem a interatividade entre aqueles que fazem um curso e nem bons resultados em termos de aprendizado e pesquisa. Para que isso aconteça é imprescindível o trabalho do professor, que além de transferir conhecimento e experiência tem que ter o “pique” de um animador e a sapiência de um moderador.
Acabei de descrever duas dinâmicas distintas para cursos em EAD e embora o segundo formato me agrade muito mais, o primeiro não será descartado e pode ser de grande utilidade para atividades complementares e/ou em cursos meramente informativos.
Apesar de entusiasta da EAD e de no momento estar particularmente envolvido com o assunto, não defendo o seu uso indiscriminado. Considero-a uma alternativa interessante e vantajosa principalmente para treinamentos corporativos, cursos de extensão, cursos de graduação e cursos de pós-graduação. Não vejo com muito bons olhos a EAD no ensino básico e fundamental, o que não significa que não possa, ou não deva ser explorada.
Justifico minha opinião na crença de que para um aluno obter êxito numa iniciativa em EAD, ele depende de seu senso de responsabilidade, de sua disciplina e de sua capacidade de administração do tempo, coisas que normalmente, só encontramos em pessoas mais maduras e mais envolvidas no contexto.
É preciso que este aluno esteja convencido da importância dessa iniciativa para ele, que esteja motivado e, portanto que esteja determinado a concluir a experiência. Para isso é necessário, apesar da flexibilidade de local e horários inerentes às iniciativas de EAD, que o aluno se disponibilize a reservar parte do seu dia à iniciativa, que não deixe para amanhã o que deve ser feito hoje, pois esta prática acaba gerando uma bola de neve cujo destino é a desistência.
Minha experiência, de anos de magistério, me mostra que quando o “barco corre solto” em termos de tempo, que quando o aluno não tem de fato a responsabilidade de entregar algo, as coisas normalmente não acontecem.
E em minha opinião, a má administração do tempo por parte do aluno é a grande responsável pelos altos índices de desistência que temos em iniciativas de EAD que, diga-se de passagem, são muito maiores do que em iniciativas presenciais.
Porém diagnosticar problemas, levantar teses é relativamente fácil e se o problema é a “má administração do tempo” levanto algumas perguntas:
Como resolvê-lo?
Como “ensinar” o aluno a administrar melhor o seu tempo?
Sinceramente, acho que isto é o tipo da coisa que não se ensina, vamos aprendendo com o passar dos anos, com o nosso amadurecimento e por isso, como já coloquei parágrafos acima, defendo as iniciativas de EAD principalmente para: treinamentos corporativos, cursos de extensão, cursos de graduação e cursos de pós-graduação.
De qualquer maneira acho interessante refletirmos sobre o assunto, que na minha óptica, é instigante e nesse sentido gosto muito do Eduardo Chaves, que em 1992 escreveu um livro sobre o assunto, intitulado “Administração do Tempo”.
Um resumo deste livro é o artigo publicado pelo mesmo autor, no ano de 1998, intitulado “Administrar o tempo é planejar a vida” e que pode ser encontrado em http://www.edutec.net/Textos/Self/MISC/timemgt2.htm
Eduardo Chaves coloca que o mais importante de tudo é saber o que queremos de fato, ou seja, definir os nossos objetivos. Depois, devemos nos conscientizar que muito provavelmente, não teremos realmente tempo para fazer tudo àquilo que queremos e, portanto, é necessário classificar os nossos objetivos quanto a sua importância e urgência e então nos planejar para alcançar esses objetivos mais prioritários.
Em meio a tudo isso, Chaves coloca algumas frases de efeito como: “quem tem tempo não é quem não faz nada: é quem consegue administrar o tempo que tem de modo a poder fazer aquilo que quer“, “ser produtivo é, em primeiro lugar, saber administrar o tempo, ter sentido de direção, saber aonde se vai” ou ainda “administrar o tempo, em última instância, é planejar estrategicamente a nossa vida”.
Em todas essas frases percebe-se claramente a preocupação de Chaves com o fator planejamento que, a meu ver, nesse mundo louco em que vivemos, nesse corre-corre, é a única maneira de conseguirmos algum resultado em nossas investidas profissionais e pessoais, por isso a minha identificação com o pensamento do autor.
Chaves termina seu artigo de uma forma linda, poética até, e vou me permitir repetir suas palavras: “Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneira de obter mais. Por isso, tempo é vida. Quem administra o tempo ganha vida, mesmo vivendo o mesmo tempo. Prolongar a duração de nossa vida não é algo sobre o qual tenhamos muito controle. Aumentar a nossa vida ganhando tempo dentro da duração que ela tem é algo, porém, que está ao alcance de todos. Basta um pouco de esforço e determinação”.
Complementando a idéia do autor, eu diria que não é suficiente apenas “aumentar a nossa vida”, mas também é preciso “aumentar a qualidade de nossa vida”.
Trabalho com alguns profissionais realmente geniais, alguns leões, que encaram dia-a-dia uma jornada de até 16 horas de trabalho com uma competência ímpar; desnecessário dizer que estas pessoas são “experts” na administração do tempo, admiro esses colegas, mas às vezes temo que estes sejam apenas “profissionais” e não pessoas.
Precisamos nos preocupar com nossa saúde, com nosso lazer, com nossa família e com o nosso semelhante. Não devemos negligenciar esses itens, pois apesar de simples e triviais temos neles, o que há de mais importante.
Sucesso é administrar tudo isso e viver plenamente.
Determinação, obstinação, talvez aí esteja o segredo de tudo!
Maurício Neves Asenjo é graduado em Matemática, pós-graduado em Sistemas Digitais e mestrando na área de Processamento da Informação. Professor do curso de Ciência da Computação da UNISANTA, e do CEFET/SP. Assessor da Diretoria de Informática da UNISANTA e delegado institucional e regional da SBC (Sociedade Brasileira de Computação).